Hoje o sono não me abraça
Me afagam as lembranças
Do teu corpo a me cercar
Me trazendo esperanças
Que um dia serei viva
Num navio com andanças
Onde o guia é a paz
E o fim a perseverança
Ao cair-me não te vejo
Abandonas-me à sorte
Não te culpo ò desejo
A saudade traz a morte
De um dia que vivemos
E que nunca apagará
No coração está cravado
A espada do sonhar
Fostes meu por um tempo
Que não ouso em contar
Pois contando assim estrago
O eterno em meu pensar
Uma imagem de saudade
Ficará a latejar
E nos pulsos ainda sinto
O teu toque a me queimar
No meu medo da incerteza
A consciência não me assusta
Pois te dei também meu eu
E sem mais tu me abusas
Nos castelos que montamos
Esperamos uma história
De um amor pra sempre forte
E uma vida só de glórias
Não imaginei atos sem erros
Mas me destes a intenção
De sentir-me para sempre
E agora assim me roubas o chão
Não pedirei o que deduzes
Pois o amor ainda ergue
As escadas que me conduzem
E minha companhia ainda me segue.
Não desejo-te má sorte
Mas que sigas com alegria
Uma vida de liberdade
E uma noite nada fria
E ficarei a sonhar
Numa penumbra sem dor
Onde a tristeza foi embora
E ao meu peito volta o calor.
Mara Cristina Chacon de Mesquita
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